Hemodiálise: sim, você também pode viajar para fora do Brasil
- rafeudes
- 9 de out. de 2014
- 8 min de leitura
Bom, caso não saibam sou enfermeiro e trabalhei alguns anos em um serviço de diálise no Brasil, onde tive a oportunidade de conhecer pessoas sensacionais e diversas histórias de vida.
Alguns pacientes me chamavam muito a atenção pela vida nômade que levavam, mas dois em especial ultrapassavam as barreiras do SUS e faziam viagens constantes para o exterior, realizando o tratamento dialítico onde quer que estivessem.
A realidade deles era diferente da dos brasileiros em geral, pois eles tinham condição financeira de arcar com os custos dessa empreitada, que não é das mais baratas.
Por várias vezes vi alguns olhos brilharem por quererem poder fazer as mesmas aventuras e se frustrarem por causa das limitações que a doença condiciona o paciente. Não raro uma outra paciente me contava dos seus sonhos de conhecer a Europa, especialmente a França, local que sua mãe visitara em um passado distante.
Aquilo tudo me tocou a ponto de eu traçar a meta de viabilizar de alguma forma que mais pessoas pudessem ter o tratamento onde quer que fosse e também desfrutar das belezas que esse mundo tem para nos oferecer.
Quando deixei o hospital em que trabalhava para morar na Europa, meu plano inicial era ser um facilitador para o meu querido Henrique Traspadini realizar seu sonho de apresentar a bela Paris a sua amada esposa.
Cheguei a verificar preços, como fazer os trâmites, mas a idéia acabou adormecendo e, eis que quase dois anos depois, estou aqui escrevendo este artigo em função de algumas descobertas recentes que fizeram essa chama se acender de novo.
Hemodiálise no exterior
Ao pesquisar sobre o assunto, encontrei o Hemodiário, blog da Helô Junqueira, que além de colega de profissão é uma paciente dialítica desde o ano passado. Portanto, algumas das informações, extraí do blog dela.
Para encontrar um centro de diálise no exterior:
O Global Dialysis é um portal na internet que você pode encontrar mais 16700 clínicas de diálise em cerca de 161 países, líder mundial em diálises em trânsito e viagens.
Empresas que organizam viagens de renais crônicos ao exterior:
Algumas clínicas de diálise espalhadas pelo mundo, principalmente na Europa (em função da facilidade de se viajar pelos países membros da União Européia), possuem programas de diálise em trânsito nos quais elas gerenciam a viagem do paciente, oferencendo meios de transporte, acomodação, as sessões de diálise, entre outros.
A Fresenius, laborário que fabrica insumos de diálise, é reponsável por clínicas em variados países, as quais também atuam nesse seguimento, auxliando pacientes a fazerem o tratamento durante sua viagem. Para mais informações, acesse o sice da Nephrocare disponibilizado abaixo.
E, para aqueles que sempre sonharam em fazer um cruzeiro, sua diálise em alto mar também já é possível, pois há navios equipados com todo o aparato necessário para o atendimento a pacientes dialíticos.
Bom, veja abaixo algumas das empresas que descobri que atuam nesses setores e que podem tornar seu sonho de ir para o exterior uma realidade.
O contato pode ser feito diretamente pelos websites, onde você fará o agendamento das suas sessões e terá o orçamento do seu tratamento em alto mar ou onde quer que você vá.
Acessando esses sites, a Helô mandou e-mail para saber do preço por sessão de hemodiálise. Verificou, então, que o preço é bem variável, sendo que em terra a sessão pode variar de USD300,00 a USD600,00, e no mar, de USD650,00 a USD800,00.
A Dialysis at Sea organiza cruzeiros de 14 dias e recomenda 7 sessões de hemodiálise, sendo USD650,00 por sessão, o que totaliza USD4550,00 (cerca de R$ 10.692,50 , mais USD250,00 (cerca de R$ 587,50) por honorários médicos, por pessoa e por viagem.
Eles organizam cruzeiros marítimos para pacientes em tratamento de hemodiálise desde 1977, portanto tem muita experiência no ramo.
Bom, ao redigir este artigo, eu entrei em contato com a clínica Nefrologiki, na Grécia, e eles vão me enviar um postal com todos os materias da clínica e todas as orientações necessárias para que um paciente faça diálise em trânsito lá. De antemão, eles me falaram que uma sessão custa ¢185,00 (com materiais incluídos), o que dá em torno de R$560,00 por sessão.
Desta forma, uma viagem de 10 dias para a Grécia, realizando cinco sessões de hemodiálise lá, custariam ¢925,00, o equivalente a aproximadamente R$2793,50, fora as despesas de transporte, alimentação e acomodação.
Ainda, pela empresa Freedom (acima mencionada), sessões de diálise na Espanha podem custar de £200 a £260, o que corresponde a cerca de R$770,00 a R$1001,00, respectivamente.
Após o exposto, iniciei contato com algumas clínicas com programas internacionais bem estruturados e listarei abaixo o que encontrei sobre elas. À medida que for obtendo respostas, vou atualizando este artigo.
Croácia
Medulin - Arcus Policlinic and Hotel
O Hotel fica de frente para o mar e possui uma clínica de diálise no seu interior com 20 máquinas.
Telefone para contato +385 52 529 100.
Emirados Árabes Unidos
Dubai - American Hospital Dubai
O hospital recebe muitos pacientes da Europa e Estados Unidos, oferecendo atendimento primário, secundário e terciário
Telefone de contato +971 4 377 6370
Dubai - Zulekha Hospital
Telefone para contato +971 4 267 8866
França
Aguardando resposta.
Grécia
Thessaloniki - Nefrologiki Clinic S/A
Esta clínica tem programas de diálise às segundas, quartas e sextas-feiras, às 7am, 12pm e 15pm, respectivamente, e às terças, quintas e sábados, às 7am e às 11h30am. Cada sessão custa ¢185,00, com todos os materiais incluídos.
O telefone de contato é +30 23920 20400 ou +30 23920 20585.
Rhodes Island - Helionefro
Creta - Mesogeios
Irlanda
Dublin - ARA Dublin Dialysis Center
Esta clínica oferece além da sessão de hemodiálise convencional, a hemodialise domiciliar e a noturna, que duram cerca de 6 a 8 horas, mas que são muito mais suaves para o paciente.
Telefone de contato: +353 478 304 1501
Dublin - Beaumont Hospital
Este hospital possui duas unidades de diálise, uma para pacientes externos e outra para pacientes internos. A ala St. Martin, que recebe pacientes externos conta com 20 máquinas de hemodiálise e funciona 24 horas por dia de segunda a sábado.
Telefone para contato +353 01 809 2730/2731.
Dublin - Beacon Renal
Esta clínica de diálise é anexada ao Hospital Beacon e possui 31 maquinas de diálise. É a única clínica ambulatorial do mundo a ser acreditada com a JCI (Joint Commission International).
Telefone para contato +353 01 299 8100.
México
Cancun - Hospiten
A clínica cobra USD377,51 por sessão, mais 11% de imposto (IVA) e mais o valor dos exames sorológicos, caso o paciente não leve consigo. O telefone para contato é +52 998 881 3700.
Conheça ainda neste link uma vasta lista de clínicas de diálise espalhadas pela Europa e que tem total estrutura para receber pacientes internacionais.
Bem, até então tenho certeza que você achou essa luz no fim do túnel cara demais. Mas eis a seguir algumas descobertas que vão reduzir o custo dessa aventura.
INSS garante assistência médica na rede pública de outros países
O viajante brasileiro segurado pelo INSS e sua família têm direito a atendimento médico nos sistemas da rede pública de oito países:
1 - Argentina,
2 - Cabo Verde,
3 - Chile,
4 - Grécia,
5 - Itália,
6 - Luxemburgo,
7 - Portugal,
8 - Uruguai;
Este direito é garantido por acordos internacionais de Previdência Social, assinados entre o Brasil e estes países. O benefício ainda é pouco conhecido, mas de acordo com informações do Ministério da Previdência Social, pouco mais de dez mil brasileiros fazem uso do benefício anualmente em países com os quais o Brasil mantém convênio.
Dei uma lida no Blog Viaje na Viagem, do Ricardo Freire, e encontrei algumas informações interessantes sobre essa informação, como descreverei abaixo:
Para fazer valer esse convênio, você precisa obter o Certificado de Direito a Assistência Médica (CDAM) em agências específicas do INSS. Sem esse certificado, você não estará segurado. Para conseguir o CDAM, é preciso comparecer a algum desses endereços apresentando documentos como passagem de ida e volta, CPF, passaporte, carteira de trabalho (para celetistas), últimos contracheques ou contribuições sociais e certidões de casamento e nascimento para dependentes.
O melhor uso do convênio do INSS é para viagens longas – por exemplo, de estudo – quando a contratação de um seguro-assistência de longa duração representaria um custo alto demais.
Caso você opte por emitir o certificado de convênio, não se esqueça de fazer um seguro que atenda ao Acordo de Schengen para os períodos em que estiver em países europeus.
Cartão Europeu de Seguro de Doença (CESD)
O Cartão Europeu de Seguro de Doença (CESD ou EHIC, em inglês) é um cartão gratuito que lhe garante o acesso aos cuidados de saúde de que possa necessitar durante uma estadia temporária em qualquer um dos países Europeus mencionados abaixo. Se você quer desejar morar na Europa por algum tempo e estiver legalmente coberto por um regime de segurança estatal, este item se aplica a você.
Para se deslocar na Europa, necessita de ter o seu Cartão Europeu de Seguro de Doença atualizado. Pode solicitá-lo nos Centros Distritais da Segurança Social do distrito onde reside; nos Serviços Locais; nas Lojas do Cidadão; junto do subsistema de saúde público (ADSE, SSMJ, etc.) ou particular, se for o caso; ou online, através do deste link.
Via de regra, o cartão é remetido para casa do titular dentro de 7 dias úteis após a recepção do pedido. Em caso de urgência, pode ser emitido um Certificado Provisório de Substituição.
Tem validade, normalmente, de 3 anos.
Pode-se utilizar o seu CESD em 31 Estados: 27 Estados-Membros da União Europeia (Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Dinamarca, Eslovénia, Estónia, Grécia, Espanha, Finlândia, França, Hungria, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, República Eslovaca, Roménia e Suécia); 3 Estados-Parte do Espaço Económico Europeu (Islândia, Liechtenstein e Noruega) e Suíça.
O CESD permite-lhe que tenha acesso aos cuidados de saúde necessários em todo o espaço, de forma gratuita ou a um custo reduzido (eventualmente terá que pagar as taxas moderadora em vigor no Estado-Membro).
Nas situações de tratamento de diálise o CESD garante o acesso e a cobertura dos custos de forma total, ou seja, o tratamento é gratuito.
O CESD não é, contudo, uma alternativa ao seguro de viagem. Ele não cobre quaisquer cuidados médicos privados ou o custo relacionado por exemplo com o seu extravio ou roubo.
Veja neste link quem tem direito ao cartão, como solicitá-lo, a validade, entre outros.
Veja a seguir depoimentos que encontrei dados por pacientes que já fizeram diálise em trânsito no exterior:




Dicas
O tratamento particular feito no exterior é caro para os padrões da maioria da população brasileira. No entanto, você pode se mudar para a Europa e arcar com o custo inicial do tratamento até conseguir seu CESD, ou utilizar o benefício do INSS nos países em que há acordos bilaterais.
Para muita gente, o idioma será uma das grandes barreiras a fazer diálise em trânsito para o exterior. No entanto, Portugal e Cabo Verde são países de língua portuguesa, o que se torna um empecilho a menos para você.
Se preciso, disponho-me a intermediar o trâmite entre paciente e clínica para resolver questões em que o idioma será uma barreira.
Apesar do tratamento particular acabar saindo caro para a maioria das pessoas, acredito ser perfeitamente possível e palpável se aventurar fora do país com algum planejamento, que inclui economia financeira visando o projeto.
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Gostou desse artigo? Conto com você para me fornecer informações adicionais e tornar o sonho de muitos pacientes dialíticos uma realidade.